Militantes realizam maratona para lembrar os 45 anos do desaparecimento de Isis Dias de Oliveira

Aconteceu nesta terça-feira (31) a Corrida por Isis, para lembrar os 45 anos do desaparecimento da ex-militante Isis Dias de Oliveira, presa política em 1972 por soldados do DOI/Codi, no Rio de Janeiro. Desde essa data seu corpo nunca mais foi encontrado.

A atividade foi organizada pelo maratonista e jornalista, Rodolfo Lucena. O percurso passou por alguns locais importantes para a memória da ex-militante da Ação Libertadora Nacional (ALN), como o antigo prédio da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras (FFCL) da USP, na Rua Maria Antônia, onde Isis estudou e iniciou sua militância, e o antigo endereço na Rua da Palmeiras, onde ela morou com José Luis Del Roio, seu antigo companheiro e um dos fundadores da ALN.

A maratona terminou na praça que leva o seu nome, próximo à residência onde morava sua família, no bairro da Lapa. Desde setembro de 1999, ano de inauguração da praça, há uma lápide com o registro de seu desaparecimento e a frase: “Quando eu não puder mais falar, vocês falarão por mim”.

“Isis participou da resistência, após o Golpe Militar de 1964, de forma não visível, mas muito ativa, pois quase sempre sua atividade política foi clandestina”, lembrou Del Roio, que também fez questão de ressaltar a grande dedicação da ex-companheira: “ela foi consequente até o fim, com seu desaparecimento em janeiro de 1972”.

No presente momento o registro de Isis faz parte dos restos mortais de corpos que são estudados pelo Grupo Forense, que analisa ossadas de diversos corpos encontrados em valas clandestinas no Cemitério de Perus.

“O Estado Brasileiro é terrível, porque demorou décadas e décadas para fazer algo em relação a isso (aos desaparecidos políticos), e ainda é muito lento e cria muitas dificuldades”, lamentou Del Roio, que integra a comissão de familiares de desaparecidos políticos.

Comissão da Verdade

Desde 2011 diversas comissões por verdade, memória e justiça se organizaram e produziram importantes documentos para apurar os crimes cometidos pelo regime militar após 1964. No entanto, apenas a verdade e a memória foram apuradas. Mesmo com diversas comprovações relatadas e responsáveis identificados, nenhum militar foi sequer julgado, como ocorreu em muitos outros países.

Fonte: INTERSINDICAL – Central da Classe Trabalhadora

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