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“Lutar contra Bolsonaro é uma questão de sobrevivência”, afirma Maringoni

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Entrevista com Gilberto Maringoni, professor de relações internacionais da UFABC. A entrevista foi concedida para o Secretário Geral da Intersindical, Edson Índio

Índio: Qual a papel do Estado frente à crise sanitária?

Maringoni: Historicamente, em especial no século XX, os estados nacionais, em situações de pandemia, agiam como aglutinadores. O exemplo capitalista maior é o governo dos EUA, Franklin Roosevelt entre 1933 e 1944, no auge da crise de 29, assumiu a tarefa de garantir emprego, montar infraestrutura, obras e demandas dos produtos como cimento, bloco, ferro, assim como a demanda de bens de consumo – alimentos, roupas, etc.- isso tem um efeito multiplicador. Ele abriu frentes de trabalho, abriu frente de sopão, tudo para garantir o emprego e a vida. Roosevelt falava que deveria mesmo jogar dinheiro na mão do trabalhador.  O economista John Keynes, que não era socialista, conseguiu fazer uma teoria que dizia que tem que dar dinheiro para o povo em períodos de crise. Os trabalhadores têm propensão a gastar o seu dinheiro, a contrário do empresário que pegar o dinheiro e coloca para render a juros, investe na especulação financeira. O pobre vai comprar comida vai comprar roupa, coloca o dinheiro para circular no mercado, isso tem sido um poderoso agente de reversão das crises, tanto que o governo de hoje de extrema direita.

Índio – Como os outros governos estão tratando essa pandemia?

Maringoni – Temos bons exemplos, vindos de diferentes espectros políticos. É o caso do Boris Johnson (Primeiro-ministro do Reino Unido), ele quebra essa ideia que o mercado vai resolver a crise e ele garantiu, estatizou a folha salarial trabalhadores britânicos, vai abrir vagas nos hotéis para sem tetos, ele sabe que o morador de rua é um poderoso vetor de transmissão. O governo Donald Trump, ídolo do presidente Messias, está dando mil dólares para cada americano. Então, dane-se o ajuste fiscal. A crise fiscal só será resolvida e as pessoas estiverem vivas.

Índio: Gostaria que você comentasse as medidas que o governo. Temos propostas com a formação de um fundo que garanta de salário aos trabalhadores, renda básica para ampliar estes benefícios de prestação continuada, aumentar o valor do Bolsa Família, estabilidade de emprego.

Maringoni – Eu sou a favor de toda essas medidas, de criar fundo, auxílio direto para os trabalhadores, etc.  Precisa ser visto que sempre vai vir um neoliberal picareta que vai dizer que “o país não tem dinheiro”, que isso vai “estourar o país”. Eu volto a dizer “dane-se”, os brasileiros construíram o estado é para isso, ele deve nos beneficiar. Quando Bolsonaro vai dizer que os trabalhadores irão fazer um curso on-line sem salário, sem salário como ele vai pagar energia elétrica, e uma picaretagem absurda, agora aqui na minha rua tem garis recolhendo lixo, estes não estão nas suas casas, o informal está proibido a ir para ruas. A ideia básica é que o governo devolva à sociedade o que ele arrecada. Porque não se direciona as fábricas para a produção e distribuição de álcool gel, máscaras?

Índio: É estas tensões entre o Governo Federal e os Governadores?

Maringoni – Agora que o Bolsonaro está fazendo e opressão contra os governadores, o que piora a própria situação do presidente. O exemplo está aí, João Dória está tomando as iniciativas, e olha que ele e de direita e fez campanha Bolsonaro. As pessoas que votaram em Bolsonaro estão vendo que foram enganadas, o povo não passa fome calado e possível criar um movimento de opinião pública -se não dá para ir para as ruas – as centrais, deputados e governadores tem a papel fundamental, maneira que temos de virar o jogo. Na Roma Antiga surgiu o movimento de Spartacus, a gente tem revoltas escravas ao longo do período colonial e no século XIX, Palmares por exemplo, o povo sempre se revolta na hora que precisa sobreviver, temos capacidade de ir à luta. Podemos superar este câncer chamado Bolsonaro, ele está atacando o país inteiro, ele é pior que o COVID-19, assim lutar contra ele é uma questão de sobrevivência e não de partido, é lutar pela vida.

ASSISTA AQUI A ENTREVISTA COMPLETA COM MARINGONI:

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