Greve dos caminhoneiros: o acordo do Governo e patrão não é solução

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Saiba mais sobre a greve dos caminhoneiros:

→ Nota de apoio à greve dos caminhoneiros


O Brasil amanheceu nesta sexta-feira (25) com a notícias que os caminhoneiros continuam em greve, mesmo após as entidades patronais terem chegado a um acordo com o Governo Federal.

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Esta situação dá sinais claros que existem interesses diferentes no interior do movimento de paralização dos caminhoneiros.

De um lado, as empresas de transporte de cargas, entidades patronais que desejam manter a desoneração da folha de pagamento e diminuir o preço do diesel via redução de impostos estaduais e federais.

Com isso, pretendem ampliar a margem de lucro sem nenhuma preocupação com a política de formação de preços da Petrobras.

Do outro, temos os trabalhadores autônomos do transporte de carga, que de fato não foram contemplados no acordo firmado ontem entre Governo Federal e algumas entidades representativas do patronato. Primeiro porque a proposta do Governo não tem sustentabilidade, apresenta medidas de curtíssimo prazo, como zerar a CIDE em 2018, redução de 10% do preço do diesel nas refinarias por 30 dias, reajuste mensal do preço do diesel nas refinarias, entre outras medidas de caráter paliativo.

Nada foi negociado em relação à política de preços da Petrobras, o que significa que permanecerá os reajustes diários sobre a gasolina e gás; apenas o diesel é colocado nos termos da negociação.

O acordo não resolve o problema de diversos trabalhadores autônomos e da população em geral. A manutenção da atual política de preços dos combustíveis seguirá penalizando os trabalhadores do transporte de pessoas, como taxistas e motoristas autônomos vinculados aos aplicativos.

Os empresários do setor de transporte simplesmente repassam o aumento dos custos para o preço dos serviços e produtos. A população em geral seguirá sendo prejudicada, pois ao ficar mais caro o serviço de transporte forçará para cima o preço das mercadorias para o consumidor final.

Uma das consequências mais visíveis e generalizadas é o preço do gás de cozinha. Toda a população, em especial a mais pobre, sofrem com o aumento abusivo do preço do gás, o que condena de maneira muito profunda o orçamento familiar dos trabalhadores. A questão do gás e da gasolina ficaram fora do acordo de deste dia 24.

Na realidade o acordo firmado não apresenta uma solução real para os problemas dos combustíveis no Brasil. Apenas responde a demanda do patronato e dos grandes acionistas da Petrobras. No lugar de colocar a estatal a serviço do povo, o Governo golpista fechou o acordo que prevê o reembolso dos valores que os acionistas deixarem de ganhar em consequência do mesmo acordo. Ou seja, os acionistas serão remunerados com o dinheiro de todo o povo, para aceitarem uma proposta de redução temporária dos valores do diesel.

Em resumo, reduzir o preço do diesel temporariamente não resolve o problema dos caminhoneiros; não mudar a política de preço para a gasolina e o gás de cozinha significará mais carestia.

A solução é determinar que o preço do combustível seja compatível com as necessidades dos 99% da população. Para isso, temos de defender a Petrobras pública e retirá-la das mãos dos grandes acionistas privados.


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