Gilberto Maringoni: “O aumento das lutas sociais pode nos garantir”

Gilberto Maringoni: “O aumento das lutas sociais pode nos garantir”

Compartilhe

Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Share on whatsapp
Share on facebook
Share on twitter
Share on telegram
Share on email

Saiba mais:
 Resolução: GREVE GERAL em defesa dos direitos trabalhistas e da aposentadoria
 Guilherme Boulos explica por que o governo Temer ainda não caiu


“A nossa conjuntura deu uma virada há dois meses. Até 15/03 estávamos fechados à possibilidade de luta. O governo vinha com um trator e a gente a pé.  Mas agora temos como nos fazer ouvir através da luta política”. A declaração foi dada pelo jornalista e professor de Relações Internacionais, Gilberto Maringoni, durante a reunião de análise de conjuntura da Intersindical Central da Classe Trabalhadora.

Acha esse material importante? Cadastre seu e-mail em nossa newsletter.

“Temos uma janela de unidade entre a esquerda e de confusão momentânea na direita. Só com o aumento das lutas sociais a gente coloca a luta política num patamar mais elevado”, afirmou.

“O dia 10/06 é especial para a luta dos trabalhadores. As trabalhadoras do cotonifício Crespi , em São Paulo, pararam as atividades há cem anos exigindo creche para os seus filhos. Os patrões negaram, a greve se espalhou por outras fábricas da Mooca, Belenzinho.. Naqueles tempos havia guerra na Europa, falta de produtos, queda da venda de café, a greve foi aumentando. Se eles conseguiram isso há exatos 100 anos nós também podemos conseguir”, relembra o professor.

Maringoni ressalta os pontos significantes do período que estamos vivendo. Segundo ele, a esperança para a classe trabalhadora de reverter essas contra-reformas se inicia no dia 15/03 com o ato na Av. Paulista, em São Paulo, contra a Previdência, que dividiu a classe burguesa e conseguiu conclamar para a luta outras pessoas além da esquerda .

“Os argentinos têm uma saudação entre eles que expressa bem aquele momento. Eles dizem antes dos atos: ‘Espero no encuentrarlo’. Pois se a gente não se encontrar no ato significa que ele é grande e que mais gente nova há. E foi o que aconteceu naquele dia. Ali pegamos no nervo das pessoas, o fim da aposentadoria”, relata.

A partir dali, segundo Maringoni, “se abre a luta política no país” com um governo que gastou a rodo com a propaganda da Previdência, mas perdeu ali a batalha da comunicação. “A burguesia começa a ficar dividida. E essa divisão tem data: 15/03”.

O entendimento correto das pessoas em 15/03, para ele, foi: “qualquer iniciativa do governo é para retirar direitos”.  Nesse sentido Maringoni alerta para a necessidade de colocar a luta contra as reformas no centro dos debates cotidianos.  “temos que dizer: é luta contra a aposentadoria, contra a carteira de trabalho, contra não poder mais acionar a Justiça do trabalho, tem que mostrar que mexe no bolso”.

Divisão da burguesia: oportunidade de luta

Segundo ele, o que possibilitou o governo Lula em 2002 foi a divisão das classes dominantes, a  queda do real, do lucro, que levou que parte do empresariado (comércio e setor produtivo) a se afastar de FHC. “As empreiteiras são o único setor da burguesia que depende de compras estatais. Então são a favor das privatizações, mas não dos cortes no orçamento,  porque isso implica em menos para elas. Elas financiaram a campanha do Lula e depois ele se separou do setor financeiro.  Basta ver os financiamentos da campanha do Serra e do Lula em 2006. É claro que eles contribuem com os dois lados, mas há predominância do sistema financeiro do lado do Serra e das empreiteiras do lado do Lula”.

Houve uma “conjuntura internacional atípica”durante o governo Lula. “Na Carta ao Povo Brasileiro, que Lula publicou antes da eleição de 2002, dizia algo impossível: mudança para os debaixo e continuidade para os de cima. Isso só foi possível pela mudança da conjuntura internacional que houve naquele momento, pela aceleração da economia chinesa, uma conjuntura atípica em 2004 a 2010 que permitiu dividir o bolo com os de cima e os debaixo”.

Mas quando essa unidade  das classes dominantes possibilitada pelo ‘ganha ganha’ chinês ficou quase à deriva, o segundo governo Dilma faz uma clara escolha pelo mercado financeiro e a direita entra com tudo para aprofundar as reformas e deixar uma divisão menor do bolo para os trabalhadores e mais pobres.

“A Lava Jato não vem para cima dos bancos. Vai para os quadros do governo Lula e o setor da burguesia mais ligado ao Estado. Por que vão paralisar a Lava Jato quando eles vão pegar os bancos?”, questiona o professor.

Impeachment

Maringoni explica que em o 17/04/16, quando houve o impeachment de Dilma, as classes dominantes estavam unidas, algo que não se via desde 2002.

Como foi construído esse impeachment de Dilma Rousseff: parte não sabia que rumo tomar. “Em outubro, novembro de 2015, a Fiesp solta entrevista do Paulo Skaf (Fiesp) dizendo que o impeachment era loucura. O Setúbal, do banco Itaú,  diz que o impeachment vai paralisar todas as atividades econômicas. Fabio Rocha, da Riachuelo, foi o primeiro a falar contra: nós vamos pelo impeachment. Ficou uma certa disputa. O que se sacramenta depois do impeachment é a unidade da burguesia, do Paulo Skaf (Fiesp), que é o médio empresariado, que é parte do setor produtivo e parte rentista. Não havia a montagem completa do governo Temer até quando o PT vota contra Eduardo Cunha na Comissão de Ética e ele resolve colocar o impeachment em votação. Os outros se unem”.

Oportunidade para as classes populares

A montagem do Temer ainda não estava terminada. “Vários ministros caem, é um governo em crise, assim como agora com as delações da JBS. E então as classes populares conseguiram uma unidade maior que não haviam conseguido durante o governo Lula.As centrais sindicais também. Muitos  estão vindo pra cá a não ser que o Temer dê o imposto sindical para eles. Temos que aproveitar esse momento”, conclama Maringoni.

Há um descasamento de agendas, o governo está em cordas, foi absolvido pelo TSE, mas Temer está isolado, na visão do professor.” Por que um governo com esse grau de ilegitimidade consegue dar curso a essas reformas? Não foi o Temer que formulou o programa Ponte para o Futuro, foi o sistema financeiro. A PEC 55 é a que interessa ao capital PSDB ameaça sair do governo mas continua a favor das reformas. Meirelles diz que fica mesmo se Temer sair. O problema com a Dilma foi que ela não colocou na velocidade que eles queriam”, explica.

“Nosso problema agora é como derrotar as agendas. Podemos estar em crise de hegemonia porque o sistema político perdeu a credibilidade, mas ele não caiu. Gramsci falava que hegemonia era coação e convencimento. Lula convenceu porque as pessoas melhoraram de vida. Se eu não consigo dominar um país, tenho que botar polícia na rua, conter rebelião. E é o que está sendo feito até certo ponto com a escalada exponencial da violência, 308 mil mortes com armas de fogo nos últimos 10 anos para conter a manifestação social. A Justiça lida a seu bel poder. A luta de classes está escancarada. O governo Lula tinha uma calma social no País, mas agora que o bolo fica menor eles precisam avisar com violência. O ministro do TSE fazer aquele gesto de cortar cabeça…”

Muita gente coloca que se resolve o problema em 2018. Maringoni discorda. Diz que o cenário que a direita quer construir é de eleições sem Lula. “A classe dominante está com ódio. A campanha com Lula é uma coisa, sem ele é outra. Porque ele sabe falar para as massas, saiu da bolha. Em 2018 teremos um governo engessado pela PEC 55 (congelamento dos investimentos públicos por 20 anos) e que pode não reverter a Previdência e a reforma do trabalho com a precarização. A hora é agora”, sustenta.

“A Globo nos ajuda quando fala na minissérie sobre as ‘Diretas Já’,  mas não vamos achar que ela está do nosso lado. A Globo tem batido no Temer e ele tem se mantido. Quando ela investiu na derrubada do João Goulart, Collor e Dilma conseguiu. Agora com o Temer não está conseguindo. E como fica isso? É um nó das classes dominantes. Essa janela de unidade da esquerda e de  confusão momentânea da direita se dá na tática, não na estratégia. Temos que aproveitar isso. Só com o aumento das lutas sociais, greve e povo na rua,  a gente coloca a luta política num patamar mais elevado”.


INTERSINDICAL – Central da Classe Trabalhadora
Clique aqui e curta nossa página no Facebook
Inscreva-se aqui em nosso canal no YouTube

Acha esse material importante? Cadastre seu e-mail em nossa newsletter.

COMPARTILHE
Share on whatsapp
Share on facebook
Share on twitter
Share on telegram
Share on email
Inscreva-se
Notificar de
guest
0 Comentários
Inline Feedbacks
Ver todos os comentários