Articulação entre campanha salarial e defesa da aposentadoria: o exemplo dos metroviários de SP

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Conversamos com Sérgio Magalhães, diretor do sindicato dos Metroviários de São Paulo, logo depois do fim da Campanha Salarial

No dia 6 de maio, a categoria metroviária se reuniu em assembleia na sede do sindicato, no Tatuapé, e cancelou a greve que estava pronta para parar a cidade no dia seguinte. O motivo foi a vitória expressiva alcançada no Tribunal Regional de Trabalho (TRT). Depois de muita mobilização e resistência aos ataques e ameaças do governo Dória, as principais metas da Campanha Salarial foram atingidas: renovação de todo o Acordo Coletivo, reposição da inflação nos salários e todos os itens econômicos, garantia de participação nos resultados, manutenção do custeio do plano de saúde, além da continuidade dos descontos de mensalidades sindicais em folha de pagamento.

O movimento dos metroviários, entretanto, não se resumiu as pautas da categoria. Ao contrário, os trabalhadores do Metrô se lançaram com tudo na luta contra a “Deforma” da Previdência e o pacote de privatizações. Usando coletes vermelhos nas estações, ganharam o apoio da população e a ira do governador tucano. “Isso impactou o governo. Ele veio para cima do colete argumentando que era político, que não tinha nada a ver com a campanha. E veio com assédio coletivo fortíssimo”, conta o dirigente Sérgio Magalhães.

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Conheça o desenrolar dessa história na entrevista abaixo:

Intersindical: Como foi esse caminho da Campanha Salarial que levou à vitória na assembleia do dia 6?

Sérgio Magalhães: Começou antes da campanha, com um seminário prévio que definiu a necessidade de unidade de todas as forças do sindicato. Foi uma primeira grande batalha interna para definir a estratégia de campanha.

Considerando o momento e os governos Bolsonaro, Dória e Covas, estava claro que viria ataque contra nós, que somos empresa pública. Estávamos aguardando o primeiro ataque e ele veio na primeira proposta do Metrô, que era reajuste zero e implantação, na prática, da reforma trabalhista, rebaixando o Acorda Coletivo para os termos da reforma. [Isso incluía] reduzir o adicional noturno de 50%, que é uma das conquistas históricas da categoria; reduzir a hora extra, que é 100%, para 50%; 0% de reajuste salarial; ataque ao plano de saúde, com a intenção de cortar boa parte do custeio por parte da empresa; e não queriam discutir a participação nos resultados.

Então tinha a implementação da reforma trabalhista e avanços da política estrutural de privatização, via ataque aos direitos. Teve um embate de peso, nacional, contra a implantação da reforma, que foi vitorioso e isso dá a primeira dimensão.

A partir daí, as assembleias se tornaram unificadas e logo vem o segundo grande acerto [o primeiro foi a unidade das forças], que foi o colete vermelho com os dizeres contra a reforma da Previdência na frente

Ao mesmo tempo [em que avançava a reforma da Previdência], vínhamos alertando também sobre o processo avassalador de ataque às estatais e serviço público que estava em curso, sendo aplicado. Então, no colete, a gente associa a reforma da Previdência com o tema da privatização: “privatização mata”. Nossa campanha era: “contra a reforma da Previdência”, “privatização mata” e “nenhum direito a menos”.

I: Como o governo reagiu ao colete vermelho?

S: O colete foi um acerto gigante. Fomos para as estações fazer coleta de assinaturas [contra a reforma da Previdência] com o colete e a população aderiu de forma impressionante, dando apoio, pedindo colete, participando efetivamente das coletas de assinaturas em várias estações.

E isso impactou o governo. Ele veio para cima do colete, argumentando que era político, que não tinha nada a ver com a campanha. Veio com assédio coletivo fortíssimo, punindo 85 companheiros das estações e operadores de trem e estava ameaçando agravar a punição, com uma lista maior, para implantar o terror.

Aí foi um momento chave. Nós decidimos bancar e resistir. Manteve o colete e, inclusive, muita gente que não estava usando passou a usar. E aí teve a primeira vitória no tribunal, porque teve resistência. Com a marcação da greve, o tribunal chamou conciliação e reconheceu o direito de a gente usar o colete. A partir daí, viramos o jogo, a galera se fortaleceu, com assembleias lotadas, e estávamos preparadíssimos para greve.

Além disso, a gente fez muitas atividades internas, sem tanta visibilidade, nas manutenções, muitas assembleias internas, massiva, com todo mundo, nas áreas chaves da empresa. Foi uma campanha fortíssima. A avaliação geral é de que foi uma vitória no marco da conjuntura. Uma grande vitória, com impacto importante no restante dos trabalhadores no sentido de incentivar a luta contra a reforma.

I: O colete vermelho animou a luta contra a “Reforma”.

S: A gente acha que foi uma contribuição importante que o movimento deu. Teve impacto. Fechamos a campanha agora, mas votamos na continuidade da luta contra a reforma da previdência, vamos continuar fazendo o abaixo-assinado nas estações, participar do dia 15 e aliar a rota para a greve geral do dia 14. Já aprovamos indicativo de adesão à greve geral.

I: Qual o papel do setor de transporte na greve geral?

S: O setor é chave, inclusive negativamente. As outras categorias ficam apostando a greve geral no setor de transportes, que é um erro, dá um peso muito grande nas nossas costas e não é uma coisa fácil. Por exemplo, se condutor não para, não é fácil, a categoria questiona.

[Para a greve dar certo,] não é só movimento sindical, o movimento popular é fundamental. Minha leitura é de que a greve geral contra o Temer só aconteceu pela aliança popular e sindical. Só sindical é um erro. O mundo do trabalho se complexificou, se espelha nos bairros. A greve geral passada foi daquele jeito porque teve movimento popular junto. Tem que parar também os bairros, não só as fábricas.

Entrevista: Matheus Lobo
Foto: Metroviários de SP


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