10 características do fascismo brasileiro

10 características do fascismo brasileiro

Características do fascismo brasileiro

O fascismo não pode ser entendido como experiências históricas europeias isoladas e datadas, mas como uma corrente de pensamento, que de diferentes formas e intensidade, permanece até os nossos dias e disputa a condução da sociedade, cada vez mais próxima e mesclada com o liberalismo.

Este fenômeno é mundial, possui traços comuns, mas se manifesta de maneiras diversas, de acordo com a situação de cada país.

No caso brasileiro, as características do fascismo estão associadas às condições específicas de nosso país, que é herdeiro de uma situação colonial, da escravidão, da dependência econômica, da ausência de uma elite nacionalista e de uma posição subalterna frente ao imperialismo.

Vejamos então, nestes 10 tópicos, como funciona o fascismo brasileiro.

1. Patriotismo performático

Diferente de outras experiências históricas, o patriotismo do fascismo brasileiro está restrito ao uso da bandeira e da camisa da seleção brasileira de futebol. Não é de fato uma defesa da soberania brasileira, mas indica expressamente que nosso país deve continuar subordinado aos interesses estrangeiros, em especial aos dos EUA.

Exemplo: Ir para uma manifestação com a bandeira do Brasil e a camisa da seleção e achar que os Estados Unidos são um exemplo de país melhor e/ou ser adepto do integralismo.

Manifestação na Avenida Paulista pedindo o impeachment da ex-presidenta Dilma Rousseff.

Manifestação na Av. Paulista pedindo a volta da Ditadura Militar. Em cima do caminhão, pode-se ver que um homem ergue a bandeira do Integralismo, a versão brasileira do nazismo.

Encontro da Ação Integralista Brasileira, em 1932.

Anésio Lara de Campos Junior, famoso integralista. Em sua mão pode-se perceber um livreto com a suástica nazista.

2. Inexistência de culto às tradições

Em outras experiências históricas, existia um culto às tradições, porém no caso brasileiro isso se desenvolve de maneira diferente. As tradições brasileiras são basicamente estruturadas na cultura popular, as elites no Brasil não possuem uma cultura própria, são completamente submetidas às tradições estrangeiras.

Exemplo: Atacar templos religiosos de matriz africana.

Terreiros de candomblé são atacados em Brasília (Foto: Valter Campanato/Agência Brasil)

3. Conservadorismo dos costumes

O fascismo brasileiro é um amontoado assistemático de preconceitos, nisso ele guarda bastante identidade com o fascismo europeu. Isso porque é através da negação das diferenças que se afirmam ilusoriamente como um campo social. Daí determinam um padrão moral restrito e seletivo, que dialoga com o passado colonial, na afirmação dos privilégios proporcionados pelo patriarcado, a heterossexualidade e pela cor de pela branca. O macho racista é o tipo ideal do fascismo brasileiro.

Exemplo: Apoiar a chamada “cura gay, criminalizar o aborto, prender seletivamente a juventude negra.

Jair Bolsonaro (PP) e Pastor Marco Feliciano (PSC), defensores do projeto batizado de cura gay.

4. Irracionalismo como virtude

Esta é uma característica geral do fascismo, a ruptura com a racionalidade. Por isso, a coerência dos argumentos, o diálogo entre posições contraditórias e a verificação da verdade das posições por meio de provas são completamente rejeitadas pelos fascistas. O fascista é sentimentalista, é simplista e inimigo dos argumentos, por isso rejeita os argumentos, os debates, a democracia. O fascista quer seguir alguém, quer ter um “pai” para pensar por ele, porque recursa a tarefa de pensar pela própria cabeça. O fascista é um crédulo, um devoto de qualquer coisa que pareça forte, neste caso a estupidez é para ele a maior das virtudes. Não é possível argumentar com um fascista, porque não é pelo argumento que ele toma suas decisões, é pela afetividade a uma figura paterna – um demagogo, por exemplo. 

Exemplo: Apoiar o Bolsonaro.

Jair Bolsonaro (PP) posa ao lado de Marco Antônio Santos (PSC), do movimento “Nacional Democracia”, que, entre outras coisas, homenageia o famoso torturador Carlos Alberto Brilhante Ustra.

Filho de Jair Bolsonaro, o policial federal Eduardo Bolsonaro, em 2016, tira selfie com amigos armados ostentando a bandeira de Gadsen (Don’t Tread On Me), assassino de índios e escravagista da Carolina do Sul (Estados Unidos), adotada por neonazistas supremacistas brancos naquele país (foto abaixo ↓).

Manifestação de adeptos da supremacia branca nos Estados Unidos com a mesma bandeira (2017).

Na loja online “DireitaShop” (link: http://direitashop.esy.es/produto/camiseta-gadsden/), com a foto de Jair Bolsonaro ao fundo, é possível comprar camisetas com o símbolo de Gadsen por R$ 30 a R$ 35.

Jair Bolsonaro é recepcionado no Aeroporto de Recife (PE) e skinheads acompanham seu filho, Eduardo Bolsonaro, que está sempre junto ao pai em sua campanha (Fonte: Diário de Pernambuco).

5. Xenofobia seletiva

No Brasil, o fascismo cultua o ódio contra aos povos latino-americanos e africanos, mas é completamente servil e abobado frente aos estadunidenses e europeus.

Exemplo: Acusar a Venezuela de regime autoritário e bater continência para a bandeira americana.

Manifestação contra corrupção na Avenida Paulista.

Manifestante na Avenida Paulista.

6. Mobilização das classes médias

O fascismo brasileiro do descontentamento dos setores médios, que com a crise econômica provocada pela ultra acumulação dos mais ricos, tem seu sonho de ascensão social se tornar um pesadelo. Sem projeto político próprio, frações destes setores começam a culpar os mais pobres por sua condição decadente.

Exemplo: Remover a força os moradores de rua e ser contra indígenas.

Símbolo do “Movimento Contra a Invasão”, criando por moradores do entorno da vitoriosa Ocupação Povo Sem Medo, em São Bernardo do Campo.

Outdoor contratado por ruralistas contra a presença de indígenas na região.

“Manifestantes da classe média” vão ao ato, enquanto a babá trabalha.

7. Liberalismo e fascismo

O fascismo europeu não defende a estatização da economia, mas a garantia do seu controle por monopólios privados nacionais. No Brasil, isso é diferente, a visão econômica do fascismo é neoliberal, defende a privatização e a entrega dos recursos estratégicos para o capital estrangeiro.

Exemplo: Todos os deputados federais fascistas apoiam a agenda de privatização das empresas públicas.

O golpista Michel Temer, junto aos outros entreguistas Henrique Meirelles, Eliseu Padilha, e o presidente da Eletrobras, Wilson Ferreira, discutem a entrega da Eletrobras ao controle e capital estrangeiro.

8. O povo é o inimigo

O pensamento fascista precisa de um inimigo para legitimar suas ações. No fascismo europeu este inimigo é o estrangeiro, o judeu, o homossexual, o cigano, o comunista. No Brasil o inimigo é o povo pobre, em especial os negros, mas isso se estende para as organizações de esquerda, sindicatos, defensores de direitos humanos e movimentos populares.

Exemplo: A esquerda é corrupta e defende bandido.

Soldado da PM atira contra manifestantes. Cena comum em atos reivindicatórios.

9. Moralismo meritocrático

O fascismo brasileiro tem uma retórica anticorrupção um tanto seletiva, herdada da UDN, principalmente porque acreditam que a corrupção é monopólio da esquerda. Por outro lado, acreditam que os privilégios dos mais ricos e das altas carreiras do serviço público é algo merecido por seu empenho individual, acreditam que o mérito vem acima da realidade social que sufoca as possibilidades da maioria esmagadora da sociedade.

Exemplo: Ele é juiz porque mereceu.

10. Violência e Covardia

A violência contra os mais fracos e a covardia frente aos mais fortes. O fascismo está presente em boa parte das corporações policiais, no judiciário e nos grandes meios de comunicação, o eixo principal é promover a violência institucional seletiva no processo de prisão, julgamento, execução penal e legitimação social da repressão contra os pobres; enquanto fazem “vistas grossas” frente o crime dos ricos, dos banqueiros e da elite política da direita brasileira.

Exemplo: Encarceramento em massa de jovens de periferia e ausência de investigação ou punição frente aos crimes financeiros da burguesia brasileira.

Criança olha assustada para soldado em intervenção do Exército na periferia do Rio de Janeiro.

Pelo Brasil manifestações pedem por mais investimento em educação para reduzir a criminalidade.

Não resta dúvida, no Brasil estão presentes estas 10 características que em conjunto cria um estado de exceção autoritário, dilapidador de direitos e da soberania nacional.

Intersindical Central da Classe Trabalhadora

Saiba mais:

→ Amauri Soares: “Segurança pública é só pretexto. Estão ali para que o povo pobre não se levante”

Vídeo recomendado: A cultura do ódio / neonazistas no Brasil


ACOMPANHE A INTERSINDICAL NAS REDES

facebook/intersindical.central

YouTube/IntersindicalCentral

instagram/intersindical_cct

twitter/intersindical

Postagens Relacionadas

*

Top