Ocupação da Sedu no ES: MST aposta em formação e diálogo com a sociedade como forma de resistência

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Ocupados desde a segunda-feira, 15, na Secretaria da Educação (Sedu), militantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) protestam contra o posicionamento do Governo do Estado de juntar alunos do 6º ao 9º ano e do 1º ao 5º na mesma sala de aula em escolas dos assentamentos. Além disso, o Governo não quer que esses colégios coloquem em prática a Pedagogia da Alternância. Para dialogar com a sociedade sobre as pautas de reivindicação do Movimento, o MST elaborou uma programação aberta ao público, que contará com três aulas públicas, aos sábados, das 15 às 18 horas, nos dias 27 de fevereiro, 05 e 12 de março.

O primeiro tema abordado será “Questão ambiental e os impactos para a agricultura”. O segundo será “Agronegócio e Gênero”. O assunto a ser debatido no dia 12 de março será “Paulo Freire e Educação Popular”. “Os temas escolhidos estão relacionados com o campo, a cidade e a realidade da sociedade capixaba. Por exemplo, não dá para falar de questão ambiental e impactos na agricultura sem falar no agronegócio que agride o meio ambiente e é um dos responsáveis pela crise hídrica que tanto tem afetado a produção agrícola”, explica o integrante da coordenação estadual do MST, Rodrigo Gonçalves.

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O MST também está à disposição de escolas e faculdades que queiram conhecer o acampamento ou abrir espaço na instituição de ensino para debater com representantes do Movimento. Os interessados devem entrar em contato com Rodrigo (99757-6974) ou Valdinar (99809-1195).

Representantes do Sindicato dos Bancários/ES visitaram a ocupação nesta terça-feira, 23. “Nós, bancários, apoiamos as reivindicações dos trabalhadores do campo em relação à pauta de educação por ser legítima. Além disso, também nós, trabalhadores urbanos, estamos sofrendo o sucateamento da política educacional do governo PH, como o fechamento de escolas, de turnos e de modalidades de ensino, como a Educação de Jovens e Adultos. Inclusive, isso tem dificultado aos jovens trabalhadores o acesso à educação”, diz o diretor do Sindicato, Carlos Pereira de Araújo, o Carlão.

Outras pautas de reivindicação

Além da regulamentação das diretrizes da Pedagogia da Alternância, por meio da qual o aluno passa uma semana na escola em tempo integral e outra com a família, sendo acompanhada pelo educador e dividindo seu tempo entre a sala de aula, atividades na horta, entre outros, o MST também tem outras reivindicações.

Uma delas é a reforma agrária. Atualmente cerca de 750 famílias estão aguardando para serem assentadas no Espírito Santo. Há, ainda, pautas de ordem ambiental, já que a seca fez com que em alguns assentamentos os agricultores e agricultoras perdessem parte da produção. Nesse caso, eles solicitam assistência técnica, social e ambiental, que não recebem há três anos, financiamento e capacitação das famílias para processo de irrigação e isenção de pagamento da água utilizada para irrigar.

O MST também exige a punição da Samarco e quer que a mineradora arque com os danos causados ao assentamento Sezínio Fernandes de Jesus, em Linhares. Em virtude da lama tóxica proveniente do rompimento da Barragem de Fundão, em Mariana, Minas Gerais, e que escorreu pelo Rio Doce, mais de duas toneladas de peixes morreram num córrego desse assentamento.

Ocupação não tem previsão de término

“Não sairemos daqui enquanto o problema não for resolvido”. É o que garante o educador do MST Advair Francisco Hosken. De acordo com ele, em reunião com militantes do Movimento na terça-feira, 16, o Governo do Estado afirmou que seria montado um Grupo de Trabalho com representantes do MST e do Governo para discutir, durante 45 dias, sobre o assunto. “O grupo de trabalho foi formado, mas de forma intransigente e vertical querem impor a nós a discussão de uma grade curricular nos moldes das escolas das cidades, e o que nós queremos discutir é a regulamentação das diretrizes da pedagogia da alternância”, enfatiza.

Para Advair, a recusa em regulamentar as diretrizes da pedagogia da alternância tem um objetivo claro: provocar o êxodo rural. “É um projeto para tirar o homem do campo e implementar o agronegócio. Hoje, em nosso Estado, temos uma área de 250 mil hectares ocupada por eucalipto. O objetivo é que aumente para 550 mil. Para que isso aconteça é preciso tirar a resistência do campo, principalmente homens e mulheres conscientes”, diz.

O MST tem obtido apoio de muitos sindicatos e movimentos sociais. Um deles é o Movimento de Pequenos Agricultores (MPA), que, inclusive, conta com militantes acampados na Sedu. “A gente compreende que a luta do MST também é a nossa luta. Por isso, estamos aqui para fortalecer. A demanda deles é a nossa. Também defendemos a permanência do homem no campo, e para que isso seja concretizado, é preciso estrutura, como o investimento em educação. Não queremos que fechem nossas escolas e tenhamos que estudar na cidade. Queremos educadores da nossa base, que entendam a nossa cultura, nosso jeito de ser”, declara a integrante da coordenação estadual do MPA, Luciene da Silva Rodrigues.

Serviço:

Aulas Públicas do MST
Local: Estacionamento da Sedu, na Avenida Vitória

Tema: Questão ambiental e os impactos para a agricultura
Data: 27/02

Tema: Agronegócio e Gênero
Data: 05/03

Tema: Paulo Freire e Educação Popular
Data: 12/03

Obs: as aulas públicas acontecerão aos sábados das 15h às 18h

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