Juros do cartão de crédito chegam a 414,3% ao ano e clientes ficam no sufoco

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Dados do Banco Central divulgados nesta terça-feira, 27, mostram que os bancos continuam ganhando muito dinheiro com os juros do cartão de crédito e do cheque especial enquanto as famílias brasileiras acumulam dívidas. Os juros do cartão já chegam a 414,3% e do cheque especial a 263,7% ao ano. A inadimplência das famílias, considerados atrasos superiores a 90 dias, subiu para 5,7%.

“Não podemos aceitar essa ditadura econômica. Os bancos se aproveitam da crise para lucrar ainda mais, ofertando crédito cada vez mais caro à população que, numa situação de arrocho financeiro, acaba recorrendo a empréstimos e compras parceladas”, afirma o diretor do Sindicato dos Bancários, Carlos Pereira de Araújo (Carlão).

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O endividamento da população levou milhares de pessoas ao 2º Mutirão de Negociação de Dívidas promovido pelo Procon/ES. O evento, que aconteceria de 19 a 23 de outubro, foi prorrogado até a próxima quinta-feira, 29, tendo em vista a quantidade de pessoas passando as noites na fila para conseguir a senha que garante o atendimento.

Entre as doze empresas que estão renegociando dívidas, há uma empresa de telefonia, uma de água e uma de energia, três financeiras e seis bancos. Na fila de espera é fácil encontrar quem esteja com dívida resultante de juros de cartão de crédito.

“Eu fiquei surpresa quando peguei o extrato. O débito era de R$ 500,00 há dois anos. O valor quintuplicou. Se comparar com o reajuste no salário, é muito absurdo”, afirmou Vanessa Viegas, cliente da Caixa Econômica Federal, que está desempregada atualmente e buscava refinanciar sua dívida.

A auxiliar administrativa Katiuscia Medina de Souza, já havia tentado outras vezes negociar o débito do seu cartão de crédito com o Bradesco, mas não teve sucesso. “Eu fui ao banco, mas fizeram uma proposta com valor três vezes maior do que a minha compra. Tentei pagar várias vezes, mas não teve diálogo”, conta ela, que esperava dessa vez conseguir renegociar os juros abusivos.

Procon

A diretora-presidente do Procon/ES, Denize Izaita, diz que apesar de não haver uma regulamentação sobre juros no Brasil, é possível identificar a cobrança abusiva quando, por exemplo, a taxa cobrada em renegociação de débitos é mais desfavorável que no contrato original. Ela alerta que todas as cláusulas de juros e multas em caso de atraso no pagamento devem ser observadas no momento da contratação.

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