Resolução de Conjuntura Internacional

As crises simultâneas do capitalismo

  1. O período atual é marcado pela existência de crises simultâneas e interdependentes. Na dimensão econômica, uma crise estrutural, que teve um ápice em 2008 mas que persiste sem solução possível na esfera do capitalismo. Na dimensão geopolítica, é visível a formação de uma multipolaridade das relações internacionais e a crise do imperialismo dos Estados Unidos e da Europa Ocidental, na relação de disputa com a China e com a Rússia. Na dimensão dos regimes políticos, é evidente o enfraquecimento das democracias ocidentais, onde as elites dirigentes caem em descrédito em razão de sua subordinação aos interesses do capital financeiro, abrindo espaço eleitoral para a extrema-direita. Pelos efeitos da crise do capitalismo e da degradação, próprio do sistema, temos também as crises climática, ambiental, energética, alimentar, migratória que se agravam nos últimos 10 anos e fazem vítimas em todo o mundo, com maior impacto nos países periféricos. 
  2. A crise econômica mundial leva  os conglomerados empresariais, subordinados ao capital financeiro, a intensificar o nível de exploração sobre as classes trabalhadoras, seja pela redução e extinção de direitos trabalhistas, seja pela imposição do que chamam de  “austeridade fiscal”. Esta política, patrocinada pelo imperialismo, provoca uma concentração brutal de renda. Em 2017, segundo relatório da OXFAN, 82% da riqueza mundial produzida ficou nas mãos dos 1% mais ricos do planeta. A consequência é o aprofundamento da crise, com aumento do desemprego, das migrações, maior extinção de direitos e garantias sociais em todo o mundo.

 

Ultra-Direita: A doença tardia da democracias ocidentais

 

  1. O aprofundamento da  contradição entre o imperialismo e os projetos nacionais soberanos é o sentido geral da disputa geopolítica no nosso tempo. O objetivo do imperialismo não é apenas criar governos associados à política externa estadunidense, mas liquidar a viabilidade nacional dos países periféricos. As vitoriosas ou fracassadas tentativas de desestabilização de governos, seja pela guerra de ocupação direta (Ex. Afeganistão, Iraque) ou por meio da estratégia de Guerra Híbrida (Ex. Venezuela, Brasil, Líbia, Síria), são tentativas de recompor as perdas na capacidade de controle geopolítico por meio da força e ou da fraude, uma vez que não é mais possível por meio diplomáticos ou outros mecanismos de pressão. Ao imperialismo dos Estados Unidos e da Europa Ocidental não interessa ter nação soberana e pouco importa sequer a existência de sociedade organizada na periferia do mundo. O que é vital para seus projetos de dominação, mesmo que isso possa representar o extermínio dos povos e das condições ambientais, é eles imporem maior nível de exploração sobre o trabalho alheio e tomarem posse dos recursos energéticos e minerais.

 

  1. O imperialismo condiciona a luta de classes nos países periféricos, financia e dirige grupos de extrema direita e desmonta os instrumentos de desenvolvimento econômico e de manutenção da soberania. A luta anti-imperialista é a forma concreta de luta de classes deste período histórico.

 

  1. O fortalecimento da extrema direita, inclusive de setores com forte orientação neofascista, na Europa, EUA e América Latina é resultado da crise do sistema capitalista. A supremacia do capital financeiro sobre as decisões dos governos eleitos desiludem os eleitores que começam a questionar até que ponto a vontade expressa nas urnas realmente altera sua vida cotidiana. É nesta desilusão que os partidos e lideranças de extrema direita encontram o terreno fértil para semear suas idéias. Soluções que se apoiam no preconceito e no senso-comum e não na raiz dos problemas sociais existentes. O resultado prático é a criação de um estado penal contra os podres, que retira direitos e reduz liberdades coletivas e individuais.

 

  1. A crise das democracias enfraquece o sistema partidário e a liberdade de ação das organizações sindicais e populares. Isso gera  oportunidade para as forças conservadoras, antes pequenas, começarem a receber apoio eleitoral, crescerem e em alguns casos chegarem pelo voto ao governo, como no caso dos EUA e do Brasil.

 

A guerra contra a América Latina

 

  1. A América Latina é hoje o principal campo de interesse do imperialismo estadunidense, que também para isso conta com o apoio da Europa Ocidental. Depois de terem espalhado a barbárie no Iraque, Afeganistão, Líbia e Síria para forçar o barateamento do petróleo e do gás mineral, a atenção dos EUA se voltou para as nações latino-americanas, também ricas em recursos estratégicos. A primeira grande ânsia do imperialismo é esmagar as experiências progressistas que nos últimos 20 anos governaram quase toda a América Latina. Depois, se apoderar das riquezas naturais deste vasto continente e impor um nível de exploração ainda mais severo sobre os povos da região. O projeto de transformar a América Latina em um quintal de Washington voltou a ser implementado.

 

  1. A estratégia de desestabilização e golpe foi vitoriosa em Honduras, no Paraguai e no Brasil, porém tem fracassado na Bolívia, Nicarágua e Venezuela. Os objetivos da estratégia de desestabilização consistem em desestruturar os governos progressistas, isolar e reduzir a capacidade de organizações populares e de esquerda. Almejam manter ou chegar aos governos e, com isso, garantir o controle de recursos estratégicos, como petróleo, água, nióbio, biodiversidade. Na Nicarágua, o interesse imediato do imperialismo estadunidense é não deixar que, em aliança com a China, este país centroamericano conclua um canal ligando o Oceano Atlântico ao Oceano Pacífico. Esta política seria importante para os povos da região, mas ruim para os Estados Unidos, que há mais de cem anos controlam o canal do Panamá. O canal da Nicarágua esvazia a importância do canal do Panamá do ponto de vista econômico e até militar.

 

  1. Os golpes contra  Fernando Lugo (Paraguai), Zelaya (Honduras) e Dilma Roussef (Brasil), a tentativa de divisão territorial da Bolívia, a prisão de Lula e a agressão contra a Venezuela não podem ser tratados como casos isolados, mas como ações articuladas pelo imperialismo contra a soberania dos países latino-americanos.

 

  1. Neste sentido, a Intersindical Central da Classe Trabalhadora reafirma seu caráter anti-imperialista e orienta a atuação de suas entidades filiadas no trabalho de solidariedade internacional aos povos irmãos.

 

  1. Neste momento, além da continuidade de todas as outras lutas, como o rechaço ao bloqueio econômico à Cuba, devemos ainda reivindicar a imediata implementação do Acordo de Paz na Colômbia por parte do Presidente Ivan Duque. Exigimos o fim dos assassinatos de lideranças sindicais e populares bem como de militantes das FARC (Força Alternativa Revolucionária do Comum), praticados por grupos paramilitares ligados ao governo e a forças militares. Precisamos dar ênfase à luta pela paz e contra a agressão imperialista na Venezuela.

 

São Paulo, 16 de março de 2019.

2º CONGRESSO DA INTERSINDICAL  CENTRAL DA CLASSE TRABALHADORA


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