Por que as ocupações urbanas de Campinas ocupam o centro da cidade?

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Prezadas e prezados trabalhadores de Campinas,

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Nós somos moradores das ocupações Nelson Mandela, Vila Paula, Itayu, Joana D`Arc e Capadócia, aqui de Campinas. Nesse dia 9 março, saímos das ocupações de madrugada e ocupamos o largo do Rosário, no centro de Campinas. Somos mulheres, homens, idosos, estudantes, vendedores, empregados domésticos, eletricistas, enfim, trabalhadores e trabalhadoras que decidiram ocupar o centro da cidade para exigir apenas uma coisa: nosso direito à moradia! Um direito negado constantemente pelo poder público.

Moramos em ocupações não porque queremos. Moramos em ocupações porque é a única saída que encontramos para resolver o nosso problema de moradia. E esse problema não é de hoje. Historicamente, Campinas cresceu e sua elite enriqueceu com a multiplicação das ocupações. Estamos falando do Oziel, do Itatinga, do Monte Cristo, do Jardim Capivari, Jardim do Lago, e tantas outras. Todas as ocupações surgiram porque a maioria dos trabalhadores de Campinas nunca recebeu um salário que pudesse comprar um terreno, uma casa ou pagar um aluguel. Elas surgiram também porque a elite, dona dos terrenos, nunca quis vender habitação para os pobres. A prefeitura também é culpada disso, pois nunca fez ou não cumpriu a legislação que garantisse o acesso dos trabalhadores à moradia. Infelizmente, esses são os mesmos motivos que fazem com que surjam novas ocupações em Campinas.

Não bastasse termos nosso direito à moradia negado, somos constantemente vítimas de processo de reintegração de posse, como no caso da Ocupação Nelson Mandela e da ocupação Itayu. Por meio da Polícia Militar, os donos dos terrenos e dos imóveis, a prefeitura e poder judiciário de Campinas querem despejar centenas de famílias que ocupam terrenos que há décadas eram utilizados apenas para especulação imobiliária.

Assim, ocupamos hoje o centro de Campinas para mostrar pra toda cidade de Campinas:
 o descaso da prefeitura com questão habitacional;
 a violência que a população da periferia é submetida diariamente;
 a truculência do poder judiciário que se nega a cumprir a função social da propriedade;
 a falta de diálogo dos proprietários dos terrenos em buscar uma solução de compra dos terrenos.

Assim, nós, das ocupações urbanas de Campinas, exigimos:
– Cumprimento do direito à moradia
– Suspensão imediata da reintegração de posse da ocupação Nelson Mandela e da Ocupação Itayu e de todas as ocupações de Campinas
– aprovação da prefeitura de venda do terreno da ocupação Capadócia
– Fim do extermínio da população jovem e negra da periferia de Campinas
– Acesso à saúde, educação e lazer para os moradores da periferia de Campinas.

Nessa luta, não estamos só. Diversos movimentos, partidos, coletivos, organizações e vereadores estão se juntando a essa luta. Pois lutar pela moradia para todos os trabalhadores, é lutar contra uma sociedade de classes, paternalista, opressora e machista..

Fonte: Brigadas Populares

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