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Vitor Hugo Tonin | Patrões transferem a conta da crise para os trabalhadores

A maioria das negociações salarias do primeiro semestre ficaram abaixo da inflação, aponta estudo do DIEESE.

  • Vitor Hugo Tonin*

A Intersindical – Central da Classe Trabalhadora esteve presente no lançamento do “Balanço das negociações dos reajustes salariais do 1º trimestre de 2016”, realizado nesta quinta-feira no auditório da Escola DIEESE de Ciências do Trabalho em São Paulo.

O acompanhamento realizado há vários anos pela competente equipe técnica do Dieese analisa os acordos fechados nas negociações salariais fornecendo um importante quadro da luta entre o capital e o trabalho no país. Ficou demonstrado que os patrões para proteger e elevar seus lucros têm transferido a conta da crise para os trabalhadores utilizando 3 táticas nas negociações: reajustes abaixo da inflação, parcelados e escalonados.

Neste primeiro semestre de 2016, 39% das negociações salariais ficaram abaixo da inflação. Isto é, mais de um terço da amostra terá seu salário real diminuído, seu poder de compra corroído por parte da inflação. Para se ter uma ideia do avanço dos patrões sobre o salário dos trabalhadores, no mesmo período de 2015 foram 14,6% e em 2014 apenas 2,6% das negociações que ficaram abaixo da inflação. Portanto, na comparação entre 2014 e 2016 o número de negociações salariais fechadas com perdas subiu 1211%! Na outra ponta, o número de negociações com algum ganho real passou de 93,2% no primeiro semestre de 2014 para 24,3% em 2016, uma queda 328%.

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Isso demonstra que no interior das empresas está ocorrendo um movimento de depressão salarial e portanto de aprofundamento da concentração de renda, num país que já é campeão mundial nesse quesito.

Além das perdas reais elevaram-se também outros mecanismos de ataque aos salários como o aumento do parcelamento dos reajustes, que no primeiro semestre de 2014 atingia apenas 5,2% das negociações, mas neste ano atingiu 25,3%. Ou seja, um quarto dos reajustes no primeiro semestre deste ano será pago parceladamente e não integralmente. Da mesma forma, aprofundou o escalonamento que em 2014 atingiu 19,7% das negociações, mas em 2016 atingiu 33,6% das negociações.

Os resultados demonstram uma profunda ofensiva dos patrões sobre a classe trabalhadora. Na crise, estes senhores buscam jogar sobre nós trabalhadores todas as perdas possíveis com demissões em massa, redução salarial, parcelamento dos reajustes e escalonamento.

Após a apresentação do estudo realizada pelo coordenador de relações sindicais do DIEESE, José Silvestre Prado de Oliveira, foi realizado uma mesa de debates com as centrais sindicais e o público presente.

Para nós da Intersindical – Central da Classe Trabalhadora, estes números demonstram claramente o processo de ofensiva da classe dominante sobre as trabalhadoras e trabalhadores do país. Está claro que o momento é de resistência dentro das empresas pelo salário e nas ruas, pois, com a consumação do golpe parlamentar avançarão os ataques como a reforma da previdência, o ajuste fiscal e a transferência dos nossos impostos para os rentistas através da dívida pública, a retirada de direitos trabalhistas e sociais, a entrega do pré-sal e a privatização da Petrobrás. E para isso é fundamental aprofundar a nossa organização, mobilização e, principalmente, a unidade de todos/as aqueles que se colocam na defesa do povo trabalhador. Os retrocessos que os golpistas e os patrões querem nos impor exigirá muita UNIDADE popular para que consigamos alcançar as vitórias necessárias.

Acesse aqui o estudo completo.


*Vitor Hugo Tonin é da Direção Executiva da Intersindical – Central da Classe Trabalhadora

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