Neoliberalismo econômico e fascismo político

Neoliberalismo econômico e fascismo político

Se sempre ocorreu uma distância entre liberalismo e democracia, no período de predominância do neoliberalismo, o fascismo político tende a ser o modelo que responde aos interesses dos donos do capital.

Nesta semana, corre pelo mundo imagens e notícias dos “depósitos” de crianças filhas de imigrantes ilegais instalados em várias cidades dos Estados Unidos.

Elas são separadas de seus pais e lotam gaiolas instaladas em galpões improvisados, alguns deles onde antes funcionavam supermercados.


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O Governo Trump alega que cumpre a lei, e usa a infância como moeda de troca para garantir o orçamento para a construção do seu muro, junto a fronteira com o México.

A barbárie é produto do encontro entre as consequência do neoliberalismo e governos de matriz fascista.

A construção de campos de concentração para crianças nos EUA é sobretudo a resposta jocosa e primitiva, de tipo fascista, que agrada setores sociais ultraconservadores pelo mundo afora, que tem como inimigos preferenciais os mais explorados, as classes trabalhadoras de países periféricos.

A atual crise migratória, no entanto, não é um problema de ordem individual, é produto das política neoliberais que foram impostas aos países periféricos que estão na esfera de influência do ocidente.

Políticas que criam desemprego, cortam direitos e fazem aumentar a violência.

Boa parte dos detidos nas fronteiras dos EUA são refugiados a violência de grupos criminosos na América Central, que tentam escapar com seus filhos da morte ou da submissão aos caprichos e interesses de gangues.

Isso demonstra o quão absurdo a condenação moral que fazem alguns em relação a imigração, como se os país expusessem voluntariamente seus filhos aos riscos da imigração ilegal.

Para muitos, o que está em jogo é migrar ou morrer

O neoliberalismo, para gerir a crise que provoca, só tem como solução política o fascismo.

Conforme afirmou Zeynep Gambetti, professora de Teoria Política na Bogazici University (Turquia), em matéria publicada pela Carta Maior, os “Valores progressistas estão sendo derrubados ou totalmente desmantelados. Milhões de imigrantes, refugiados e pessoas apátridas não são reconhecidas como seres humanos portadores de direitos por países que afirmam defender os direitos básicos. Contudo, a história não pode se repetir de forma idêntica visto que o mundo em 2017 não é mais o mesmo que o mundo de 1917”. 

A professora explica que as relações entre imperialismo e totalitarismo não acontecem da mesma forma que na década de 1930 do século passado, mas hoje assume o formato neoliberal. Ou seja, dá liberdade aos capitais e a exploração e reduz os direitos dos trabalhadores nos países periféricos.

Segundo ela, seria um erro “supor que a financeirização neoliberal tem somente impacto econômico, deixando intactas tanto a conduta política quanto as subjetividades coletivas e individuais”.

No caso brasileiro, seja pela agenda levada adiante pelo governo golpista, seja pelo discurso fascista de Bolsonaro ou do MBL, o que está em risco é a concepção de indivíduos portadores de direitos.

“Não somos mais seres humanos portadores de direitos. Muitos estudiosos concordam que a própria noção de direitos universais, liberais ou sociais, foi relegada ao esquecimento pelo neoliberalismo. Isso não significa apenas que eles estão sendo desrespeitados, mas que o próprio desejo pelos direitos está sendo minado (…) Sob o sistema neoliberal de avaliação, o cidadão deve algo ao Estado. Ele é o devedor e não o contrário. Ele se torna responsável e culpado”, afirma a professora Gambetti.

O que o golpismo, a grande mídia e setores ultraconservadores pretendem é retirar a ideia que o povo brasileiro tem direitos e que o Estado deve trabalhar pelo bem comum.

Daí, surge o debate, inflado pela mídia mercantil de que o problema do país são os direitos dos mais pobres e não os privilégios econômicos e políticos dos mais ricos.

Afinal, Temer, Bolsonaro e os tucanos querem retirar do pensamento das maiorias do povo a ideia de cidadânia.

É nesta perspectiva geral que surgem as medidas antipopulares como a Reforma da Previdência, Reforma Trabalhistas, terceirização irrestrita, congelamento dos investimentos públicos, intervenção militar, prisões arbitrárias, ativismo judiciário em favor dos donos do poder e criminalização das organizações sindicais e movimentos sociais.

Neste sentido, o fascismo cabe como uma luva na “mão invisível do mercado”. Uma mão aberta para poucos, mas muito dura com os que vivem do trabalho.

Esta tem sido  inclusive a tradução mais aproximada da proposta do pré-candidato a presidente Jair Bolsonaro.

A solução diante do fascismo sempre é a unidade dos setores democráticos, independente de suas diferenças, que, frente ao inimigo autoritário, são secundárias.

A resposta na década de 40 foi a Frente Antifascista em vários países, hoje, mesmo em um contexto diferente, é necessário atualizar os métodos e conteúdos, mas sem abandonar o legado e o conhecimento produzido pelas gerações de trabalhadores no passado.

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Texto: Pedro Otoni
Fotos: Google Imagens


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