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Mulheres índias munduruku pautam ocupação do canteiro da hidrelétrica São Manoel

Mulheres índias munduruku pautam ocupação do canteiro da hidrelétrica São Manoel

A ocupação pacífica feita por centenas de indígenas de 138 aldeias do rio Tapajós chega ao seu terceiro dia e as mulheres munduruku divulgam nova carta pública sobre a situação no canteiro de obras na Usina Hidrelétrica São Manoel (EESM), localizada no rio Teles Pires entre os estados de Pará e Mato Grosso. No documento, as indígenas destacam que permanecerão no local até que suas pautas sejam atendidas. Elas apontam, entre diversos pontos, o desrespeito com a fé e espiritualidade munduruku, expressos na destruição de locais sagrados e a remoção de urnas funerárias de seus ancestrais – que atualmente encontram-se em poder da UHE Teles Pires – para locais não informados e sem o acompanhamento de um pajé.

Em trecho da carta, os indígenas apontam o governo como co-responsável pelos problemas que têm enfrentado: “Depois de ouvirmos as mulheres Munduruku foi decidido que estaríamos aqui pacificamente no canteiro da hidrelétrica São Manoel por motivos e dores. A gente não esta aqui invadindo. O único invasor é o governo e as empresas responsáveis pelas hidrelétricas que estão sendo construídas no rio Teles Pires. Nós, povo Munduruku, estamos aqui em nosso local sagrado”.

Os indígenas também apontam a resistência da empresa ao diálogo aberto visto que os advogados da EESM, ingressaram com pedido de reintegração de posse antes mesmo de qualquer reunião entre as lideranças e os diretores da empresa. Há ainda a acusação de que ameaças estão sendo feitas por uma funcionária da hidrelétrica.

Desde o início do processo de construção das usinas no rio Teles Pires, os povos da região denunciam as violações no processo, em especial, a falta de consulta livre, prévia e informada, como descrito na convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho, da qual o Brasil é signatário.

A ocupação da EESM teve início na madrugada do dia 16 de julho quando cerca de 200 indígenas representando 138 aldeias munduruku da bacia do Tapajós chegaram ao canteiro de obras da usina.

Confira a íntegra da segunda carta pública Munduruku exigindo uma resposta da empresa:

Fonte: Cimi


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