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Marta Albarnoz conta a saga das trabalhadoras da alimentação escolar no Chile

Marta Albarnoz Tapia

A chilena Marta Albarnoz Tapia falou da experiência de construção da Federação Nacional das Manipuladoras de Alimentos (Fenama), fundada em 2014 e que hoje representa 18 mil trabalhadoras terceirizadas do Estado chileno, na mesa “América Latina pela perspectiva das mulheres” durante o 2º Encontro de Mulheres da Intersindical. “O desespero e a agonia por tanto mau trato nos levou a nos organizar e buscar melhorias e igualdade para todas as manipuladoras de alimentos”, relata Albarnoz. Além das dificuldades da negociação econômica com os poderes político e empresarial, a dirigente destaca o machismo na sociedade e em seus lares que as impede de realizar as atividades sindicais como gostariam.

A categoria que a Fenama representa são as cozinheiras, merendeiras e ajudantes que trabalham nas escolas públicas chilenas. São funcionárias de empresas privadas terceirizadas que vencem concessões realizadas pelo governo. Albarnoz conta que as primeiras demandas das trabalhadoras (90% do setor são mulheres) foram o reajuste salarial, congelado por 35 anos, o reconhecimento como trabalhadores estatais e o fim da discriminação e do assédio nos locais de trabalho.

Com as articulações das trabalhadoras para formar o sindicato, vieram os ataques. “Primeiro foi o desprestígio por ser uma organização sindical de mulheres, nos desqualificando por nosso nível educacional, que não entendíamos nada e que nossa pauta era uma loucura”, relata Albarnoz. Em seguida vieram as ameaças de demissão massiva por parte do empresariado e os ataques por parte do poder político que diziam que as cozinheiras queriam se igualar a chefs profissionais. “Nosso trabalho sempre foi feito com todo o carinho do mundo para nossas clientes especiais, as crianças mais vulneráveis do país. Mas o governo não quis nos ouvir e tivemos que fazer paralisações para sermos escutadas”, conta a chilena.

Assim, em 2014, uma manifestação nacional convocada pela Fenama reuniu 80% das trabalhadoras sindicalizadas nas ruas. Com a demonstração de força e as ameaças de greve, finalmente, as autoridades passaram a negociar. O resultado é que hoje o salário base das manipuladoras de alimentos esteja 50% sobre o salário mínimo, que era o piso anterior, insuficiente para as despesas familiares. Além disso, conseguiram leis de regulamentação das demissões, direitos para as mulheres grávidas e mães recentes, participação nas discussões escolares sobre nutrição dos alunos e regulamentação geral da categoria para negociação coletiva.

“Ganhamos respeito entre nós mesmas, ganhamos dignidade”, resume Albarnoz.


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