Jupiara Castro: “nascemos trabalhando e tivemos que arrombar portas para conquistar direitos”

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Filha de comunistas, Jupiara Castro, do Núcleo de Consciência Negra da Universidade de São Paulo (USP), considera que começou a militar ainda na barriga de sua mãe e segue na ativa até hoje. Em sua trajetória, participou da fundação do Movimento Negro Unificado (MNU), do Partido dos Trabalhadores (PT) e, mais recentemente, do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL). Atualmente, Castro destaca a articulação mundial do feminismo –  ela é uma das quatro brasileiras que assinam o manifesto “Para além do 8 de Março: rumo a uma Internacional Feminista“.

Para Jupiara Castro, é tarefa do movimento feminista aglutinar mulheres negras, indígenas e brancas trabalhadoras, mas as particularidades de raça não podem ser apagadas. “Dizemos claramente que nós somos parceiras, mas não somos iguais às brancas. Vamos trabalhar as especificidades da mulher indígena, negra, em diálogo com as brancas trabalhadoras, para tirar um programa que revolucione a América Latina e todos os países que aderirem à Internacional Feminista”, anunciou.

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A militante destaca, por exemplo, que, ao contrária das mulheres brancas, que demoraram a ingressar no mercado de trabalho, as mulheres negras e indígenas sempre trabalharam – como parcela mais explorada e destituída de direitos. “Tivemos que arrombar todas as portas para conquistar e garantir direitos”, definiu Juciara Castro.

A avaliação dos governos petistas também foi tema de sua intervenção no 2º Encontro de Mulheres da Intersindical. “Cometemos erros nos 14 anos de governos de esquerda. É preciso saber onde erramos para não cometermos novamente. A militância não ir às ruas para pressionar o governo foi um erro. Os senhores do poder entravam pela sala ao lado, pressionavam e faziam com que nossas reivindicações fossem jogadas a segundo plano”, criticou.

Quanto à conjuntura atual, destacou a relação de milícias com a família Bolsonaro e definiu o governo federal como “o lixo do lixo do lixo”. O projeto atual é “bala, cárcere e quebra da organização dos trabalhadores”. Ainda defendeu a importância de reverter a reforma trabalhista, que “nos colocou na marginalidade” e a reforma previdenciária “que tira a perspectiva de quem trabalha acessar à aposentadoria” e compromete toda a Seguridade Social.

Jupiara Castro, que é trabalhadora técnico-administrativa da USP, também refletiu sobre a posição das mulheres no movimento sindical. “Os companheiros conseguem ir a todas as reuniões das direções dos sindicatos. Nós não podemos, porque temos que cuidar dos filhos, lavar e passar roupa, como se isso fosse responsabilidade só da mulher. Dividir tarefa é fundamental”, lembrou.

Ao finalizar, a militante conclamou: “Marielle presente, hoje e sempre! E Lula Livre!”.

Texto: Matheus Lobo


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