Golpe de 1964 foi para impedir distribuição de renda, afirma historiador Del Roio

Golpe de 1964 foi para impedir distribuição de renda, afirma historiador Del Roio

Repórter Sindical entrevistou José Luiz Del Roio sobre o Golpe de 64 e seus impactos na vida dos trabalhadores

O golpe de 1964 foi um ataque à distribuição de renda. A síntese é de José Luiz Del Roio, escritor, historiador e ex-senador entrevistado pelo Repórter Sindical na Web, quarta, dia 3, na TV Agência Sindical e TV Guarulhos (canal 3 da NET). Sua entrevista segue tradição da Agência Sindical de, a todo aniversário do golpe, apresentar programa de TV sobre o tema.

Para o autor do livro “1º de Maio – Cem Anos de Lutas”, lançado em 1986, pela Cortez/Oboré, o ataque à renda se deu de duas formas. Ele explica: “Primeiro, pelo combate à reforma agrária, num tempo em que o trabalhador rural quase não tinha direitos e vivia em condições miseráveis. E pelo próprio arrocho salarial oficializado, acompanhado de repressão às entidades, que ficaram sem forças pra reivindicar”.

Ex-senador pela Lombardia, Itália, e também deputado em duas Câmaras europeias, o brasileiro de Bragança Paulista faz a conta: “Se o salário mínimo de 1964 tivesse sido mantido, seu valor hoje estaria perto de R$ 2,5 mil. Portanto, tudo o que estiver abaixo desses R$ 2,5 mil nos foi roubado por causa do golpe”.

Nação – Para o historiador e autor de mais de 20 livros, há um esforço contínuo da classe dominante contra o senso de Nação. “O esforço dessa classe submissa aos interesses internacionais, especialmente dos Estados Unidos, é impedir que se forme entre o povo um senso de nacionalidade, pois aí o espaço para seus interesses seria muito reduzido”, argumenta.

Ele recomenda à esquerda e aos setores populares, do alto de sua experiência de militante, intelectual e exilado, que não se percam em pautas secundárias, que dividem. Orienta: “A tarefa neste momento é combater a reforma da Previdência, levando informações nas fábricas, associações de moradores, nas igrejas. E um conversar com o outro, explicando a gravidade desse ataque”.

Chances – O jornalista João Franzin, apresentador do Repórter Sindical na Web, perguntou: – O Brasil está fragilizado por uma crise longa e profunda. Vai ser possível reerguermos o País? Sua resposta: “Sempre é possível. Na II Guerra, a Itália foi ocupada por 13 Exércitos e teve todas as suas cidades e vilas bombardeadas. Anos depois, estava reconstruída, por ação de uns 100 mil resistentes, nas cidades, campos e montanhas”. José Luiz Del Roio conclui: “E a nossa vantagem é que as potencialidades do Brasil são imensamente maiores do que as da Itália de então”.

ASSISTA À ENTREVISTA COMPLETA

Fonte: Repórter Sindical


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