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Famílias reocupam área pública no Pará

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No último dia 19, as famílias que produzem na terra, reocuparam o local onde fica o Acampamento Frei Henri

O MST no estado do Pará emitiu na tarde desta quarta-feira (21) uma nota contextualizando o conflito por terras na região de Curionópolis. No último dia 19, as famílias que produzem nas terras reocuparam o local onde fica o Acampamento Frei Henri.

Dispostos a lutar pela Reforma Agrária e denunciando a iminência de uma ação violenta por parte do latifúndio que já atacam e intimidam as famílias acampadas “com tiros e bombas em direção ao acampamento e pistoleiros armados circulando dentro da fazenda.”

Leia a íntegra da nota:

Enquanto o latifúndio quer guerra, nós queremos terra para trabalhar!

O MST vem a público para mais uma vez se manifestar por meio de nota sobre a conjuntura de violência no campo. Somente neste ano de 2017, em três meses, nós do MST estamos denunciando publicamente a Violência no Campo no Pará com ações em Memória aos 21 anos do Massacre de Eldorado dos Carajás e declarações diárias sobre o acirramento dos conflitos no campo.

No mesmo dia em que realizávamos em Belém, junto com outras organizações do campo, o Seminário e Ato Nacional Contra a Violência no Campo, em uma ação de desespero e cansados de tanto esperar, as famílias do acampamento Frei Henri, localizado na Fazenda Fazendinha, município de Curionópolis, PA 275, reocuparam a sede da fazenda em que estão acampados há mais de sete anos. Uma terra comprovadamente pública, da União que pela morosidade da justiça, não avança para que possa cumprir sua função social.

A terra é de quem trabalha! As famílias do acampamento Frei Henri produzem alimentos saudáveis e estão entre os principais fornecedores para os municípios próximos. O acampamento também serve de referência na saúde e educação, atendendo famílias que moram em torno. Desde 2010, o INCRA de Marabá conclui através de laudos que a área é improdutiva e grilada. Legitimamente comprovados! Perguntamos: até quando as famílias camponesas irão esperar?

Até quando os fazendeiros da região, que ameaçam, intimidam as famílias, vão continuar agindo com a conveniência das autoridades? Quando as autoridades tomarão atitudes enérgicas diante da iminência de mais violência em relação aos trabalhadores e trabalhadoras rurais?

O acirramento do conflito aumenta e o discurso permanece o mesmo contra os trabalhadores e trabalhadoras: destroem a propriedade, matam e roubam gado. Obviamente os fazendeiros não dizem dos ataques e intimidação às famílias acampadas com tiros e bombas em direção ao acampamento e pistoleiros armados circulando dentro da fazenda.

Rafael Saldanha, Dão Baiano, Joaquim Roriz, Eudério Coelho, Marcelo Catalão, Darlon Lopes e tantos outros fazendeiros que se manifestam publicamente contra os trabalhadores e trabalhadoras rurais anunciam claramente suas ameaças e criminalização do MST e nenhuma providência será tomada pelas autoridades?

Omissão, Inoperância e morosidade é o que define os órgão públicos responsáveis para solucionar o conflito agrário na região. Foram 18 mortos no campo este ano no Pará e a violência só aumenta. Queremos ações efetivas do INCRA Marabá e Polícia Federal no Estado, a presença da Delegacia de Conflitos Agrários (DECA) e demais órgãos de segurança pública, pois reafirmamos que estamos diante de iminente conflito.

As Famílias do Acampamento Frei Henri permanecerão na área, resistindo para que se faça valer a Apelação Cível do Desembargador Federal Souza Prudente de retirada do Fazendeiro Darlon Lopes. Esperamos que haja celeridade ao processo para efetivação da execução da liminar de despejo e imediata criação do Assentamento das famílias Sem Terra.

Coordenação Estadual do MST Pará

LUTAR, CONSTRUIR REFORMA AGRÁRIA POPULAR!

Fonte: Página do MST


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