Estudantes ocupam reitoria da UFRGS para barrar mudanças na política de cotas

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Estudantes, membros da comunidade acadêmica e de grupos dos movimentos negro e indígena protestam nesta manhã de sexta-feira (23) pela democratização da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), ameaçada por uma possível mudança no ingresso de cotistas.

O Conselho Universitário da UFRGS está tentando barrar o acesso de estudantes oriundos de escolas públicas, negros, pardos e índios. A proposta teve pedidos de vistas na quinta-feira (22) e pode ser votada nesta manhã.

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Atualmente, quando um candidato que tem direito a cota atinge uma média suficientemente alta para entrar no curso por acesso universal, ele “libera” a vaga para um cotista de média mais baixa. Com isso, no último ano, mais de 400 estudantes que são oriundos de escolas públicas entraram pelo acesso universal.

“Tem entrado cerca de 60% de estudantes egressos de escola pública, periféricos, pobres, a UFRGS está muito pública. Caso o parecer seja aprovado, vai acontecer uma elitização da universidade”, explica Negralisi da Rosa, estudante de Enfermagem e uma das ocupantes da Reitoria.

Em 2016, por exemplo, 419 candidatos egressos de escolas públicas entraram por acesso universal, apesar de terem se inscrito como cotistas. Isso significou 419 vagas liberadas para outros ex-discentes da rede pública.

Atualmente, 50% das vagas de todos os cursos são reservadas a ex-alunos de escolas públicas e, dessas, 50% são destinadas a negros, pardos e indígenas. Isso significa que, neste ano, mais de 2 mil estudantes entraram na universidade pela Lei de Cotas.

A reserva de vagas foi criada para combater desigualdades históricas, a partir da Lei Federal nº 12.711/2012. A UFRGS ofertou 30% de suas vagas para cotistas em 2013 e 2014. Em 2015, o percentual aumentou para 40%, chegando em 2016, por fim, aos 50% previstos na legislação.

O movimento “Balanta – Nenhum cotista a menos” promoveu ontem uma aula pública contra a proposta de alteração em frente à Faculdade de Educação (Faced). “Precisamos barrar essa cúpula racista que existe dentro da UFRGS. A política de ações afirmativas é uma conquista do movimento negro e indígena e é nosso dever levar essa pauta adiante”, escreveram os manifestantes no evento criado no Facebook.


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