Conselho de Ética da Câmara aprova cassação de Cunha após 8 meses de vergonha nacional

Conselho de Ética da Câmara aprova cassação de Cunha após 8 meses de vergonha nacional

Compartilhe

Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Share on whatsapp
Share on facebook
Share on twitter
Share on telegram
Share on email

Após oito meses ostentando todas as manobras regimentais possíveis para proteger Eduardo Cunha (PMDB-RJ) de um possível processo de cassação de mandato, o Conselho de Ética da Câmara dos Deputados não resistiu ao forte clamor popular e concluiu a análise do processo. Por 11 votos a 9, o colegiado aprovou na terça-feira (14) o parecer do relator Marcos Rogério (DEM-RO), que recomenda a sua cassação do presidente afastado da Casa.

A indefinição durou até o último momento, mas o peemedebista acabou derrotado. Agora, o caso irá a plenário da Câmara em voto aberto. Serão necessários os votos da maioria simples (ao menos 257 dos 513 deputados) para a perda do mandato.

Acha esse material importante? Cadastre seu e-mail para receber nossa newsletter.

Cunha deve recorrer à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara para tentar anular o processo do conselho, o que pode levar alguns dias.

No entendimento do relator do parecer, Marcos Rogério (DEM-RO), Cunha quebrou o decoro ao mentir durante depoimento na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobras sobre ter contas no exterior.

Chantagem nacional

As denúncias e as investigações contra Cunha resultaram na abertura do processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff.  O peemedebista esperava haver um pacto de silêncio, no qual ele jamais seria questionado sobre seus negócios escusos e, em compensação, impediria a admissibilidade do pedido de afastamento da presidente pois ainda comandava a presidência da Câmara dos Deputados . Como isso não ocorreu, ele manobrou para que a abertura do processo de afastamento de Dilma fosse aceita.

E, apesar de Cunha ser réu e investigado em diversos inquéritos sobre o escândalo de corrupção na Petrobras, o processo no  Conselho de Ética da Câmara foi o mais longo da história.

Confira abaixo as principais denúncias que Eduardo Cunha tentava abafar:

1. O Supremo Tribunal Federal (STF) tornou Eduardo Cunha réu na ação da ação da Lava Jato.

2. A esposa, Cláudia Cruz, e a filha, Danielle Dytz, foram acusadas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas. As duas também estão na mira da Operação Lava Jato. Cláudia e Danielle movimentaram US$ 1 milhão com um cartão de crédito ligado à conta offshore “Köpek”, na Suíça, da qual Cláudia é a única controladora. A conta recebeu depósitos de fontes suspeitas. Por causa dessa investigação, Cláudia Cruz se transformou em ré e deve ser julgada pelo juiz Sérgio Moro.

3. Eduardo Cunha já era réu no STF num processo que aponta recebimento de US$ 5 milhões pagos como propina para liberar contrato do estaleiro Samsung Heavy com a Petrobras. Ele teria usado requerimentos para chantagear o lobista Julio Camargo e o grupo Mitsui a pagarem esse valor.
4. A Procuradoria Geral da República protocolou denúncia contra Cunha por suposto recebimento de propina de R$ 52 milhões  em obras no Porto Maravilha. O dinheiro teria sido pago mediante liberação de recursos da Caixa a empreiteiras para benfeitorias no terminal no Rio. Fabio Cleto, ex-vice presidente da Caixa, indicado por Eduardo Cunha para o cargo, disse, em delação premiada, que o deputado recebeu essa propina numa conta no Uruguai.

5. De acordo com o Ministério Público, o peemedebista também se utilizou de requerimentos parlamentares para pressionar donos do grupo Schahin para manter contratos com o doleiro Lúcio Funaro. Como pagamento, recebeu a quitação de dívidas de alguns carros que estão em nome de uma produtora pertencente à própria família Cunha.

6. Segundo o procurador-geral, Rodrigo Janot, Cunha tentou intimidar a advogada Beatriz Catta Preta ao pedir que seus aliados a convocassem para depor na CPI da Petrobras. E fez o mesmo tentando convocar na CPI familiares do doleiro Alberto Youssef como maneira de pressioná-lo, já que é um dos delatores da Lava Jato.

7. A Procuradoria Geral da República sustenta que Cunha interferiu para que a CPI da Petrobras contratasse a empresa de arapongas Kroll com o objetivo de desmentir o que estava sendo dito por delatores da Lava Jato.

8. Cunha tentou mudar uma lei para que delatores não pudessem corrigir os seus depoimentos.

9. Cunha demitiu o diretor de informática da Câmara, Luiz Eira, logo após o jornal Folha de São Paulo publicar reportagem sobre os registros de computadores da Câmara no qual o deputado era apontado como autor de requerimentos citados como suspeitos em inquéritos da Operação Lava Jato.

10. Suspeita-se de que usou o cargo de deputado para receber vantagens indevidas para aprovar parte de medida provisória de interesse do banco BTG. 

11. A maior parte do dinheiro da Köpek vem de três contas offshore de titularidade de Cunha, chamadas Triumph, Netherton e Orion. De acordo com a Procuradoria-Geral, a rota da propina da Petrobras começa em março de 2011, com um pagamento de 34,5 milhões de dólares à petroleira CBH. Dalí, o dinheiro foi para a offshores Lusitania Petroleum, para a offshore Acona e, por fim, para os “trustes” de Cunha.

12. Essas contas ficaram famosas após o deputado afirmar, na CPI da Petrobras, que não tinha contas no exterior. Quando surgiram os documentos suíços, Cunha foi acusado de mentir e de, portanto, quebrar o decoro parlamentar. Por causa disso foi aceito contra ele o processo no Conselho de Ética da Câmara.

13. A força-tarefa da Operação Lava Jato, em Curitiba, protocolou ação civil pública de improbidade administrativa contra Cunha por ele ter, de acordo com o Ministério Público, se beneficiado do esquema de corrupção na Diretoria Internacional da Petrobras. Os procuradores pedem a suspensão dos direitos políticos de Cunha por dez anos e pedem que ele pague uma multa de R$ 270 milhões. Por ser uma ação civil pública, o processo corre na primeira instância na Justiça, mesmo Cunha tendo a prerrogativa de foro privilegiado.

Cunha está afastado do seu cargo de deputado e da presidência da Câmara desde o dia 5 de maio. Foi uma decisão inédita do Supremo Tribunal Federal, em resposta a um pedido de Janot feita seis meses antes, argumentando que o peemedebista obstruía as investigações contra ele.

 

Acha esse material importante? Cadastre seu e-mail para receber nossa newsletter.

COMPARTILHE
Share on whatsapp
Share on facebook
Share on twitter
Share on telegram
Share on email

Já assistiu nossos últimos vídeos no YouTube?

2 de outubro FORA BOLSONARO
2 de outubro FORA BOLSONARO
Nilza Pereira: Unidade é a chave para derrotar Bolsonaro
Nilza Pereira: Unidade é a chave para derrotar Bolsonaro
100 mil na Paulista pelo Fora Bolsonaro
100 mil na Paulista pelo Fora Bolsonaro
Inscreva-se
Notificar de
guest
0 Comentários
Inline Feedbacks
Ver todos os comentários