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Com tiros e incêndios forçados, seguem ameaças aos Guarani Kaiowá

INTERSINDICAL – Central da Classe Trabalhadora

Os trabalhadores e a sociedade em geral precisam atentar para o que os ruralistas e seus capangas estão fazendo contra as populações indígenas, particularmente na região de Dourados, no Mato Grosso do Sul.

Após o assassinato de Semião Vilhalva, da comunidade Guarani Kaiowá, os ruralistas seguiram atacando os indígenas, com tiros e incêndios forçados.

Segundo o Conselho Missionário Indigenista, o presidente do Sindicato Rural de Rio Brilhante (que representa os grandes fazendeiros) convocou os fazendeiros da região, fez ameaças aos Guarani e Kaiowá e mandou mensagens aos servidores da Funai de que o conflito seria inevitável. Diante disso, segundo o Cimi, o Ministério Público Federal pediu abertura de inquérito policial para apurar as denúncias.

“Não podemos ficar de braços cruzados enquanto o agronegócio dizima os povos e impedem a demarcação das terras indígenas. É preciso agir para impedir esse massacre. Além de denunciar os fazendeiros e seus capangas, é preciso cobrar do governo, do judiciário e do legislativo ações concretas para por fim a essa situação. Chega de massacre e desrespeito ao território indígena”, cobra Edson Carneiro Índio, Secretario Geral da Intersindical Central da Classe Trabalhadora.

Leia a carta do CIMI:

Durante a última noite, dia 04, e ao longo manhã deste sábado, 05, os ataques promovidos por milícias rurais contra famílias Guarani e Kaiowá do tekoha (lugar onde se é) Guyra Kambi’y, localizado entre os municípios de Douradina e Itaporã, a 35 km de Dourados, no Mato Grosso do Sul, continuaram fortes e intensos. Apesar disso, não há sinalização de deslocamento de forças de segurança para a região até o presente momento.

Os indícios de que haveria continuidade das ações paramilitares, levadas a cabo por grandes fazendeiros, seus jagunços e sindicalistas rurais, foram amplamente evidenciados desde a manhã desta sexta-feira, 04. Enquanto fotografias de projeteis e cartuchos de armas de fogo de diversos calibres, evidenciam os ataques desferidos contra os Guarani-Kaiowá na noite de quinta-feira, 03, mensagens trocadas em redes sociais, advindas, sobretudo de dirigentes de sindicatos rurais, demonstram o planejamento de ações contra os índios. O fato gerou a instauração de um inquérito por parte do Ministério Público Federal (MPF), anunciado na tarde desta sexta-feira, com finalidade de investigar a formação de milícia privada por parte de produtores rurais.

As ações milicianas desrespeitam o pacto estabelecido com o Ministério da Justiça, na quarta-feira, dia 02. Desrespeito que parece ser intencional e deliberado uma vez que, segundo os indígenas, alguns fazendeiros foram enfáticos em afirmar que para “a ação contra os índios não seriam constituídos advogados”, uma vez que “os produtores não creditam mais na justiça”.

Por volta das 19 horas desta sexta-feira, 04, diligências da Polícia Federal e da força tática da Brigada Militar foram até o local. Ao encontrarem um grupo amplo de produtores organizados, os policiais realizaram a qualificação dos produtores rurais no inquérito instaurado. Mesmo assim, logo após o retorno das diligências policiais para a cidade de Dourados, os ataques armados recomeçaram contra os Guarani e Kaiowá.

Foram mais de duas horas de muitos disparos e investidas de fazendeiros que avançaram contra os indígenas com um grande número de caminhonetes, decretando novamente, às margens da lei, uma noite de terror para as famílias de Guyra Kambi’y. Com muita dor e medo, avaliando a situação de alto risco e sem nenhuma perspectiva de segurança, os indígenas abalados tiveram de deixar a pequena área retomada há quatro dias, que fica localizada dentro de seu próprio território tradicional. Os Guarani e Kaiowá regressaram para a aldeia de apenas dois hectares onde vivem há mais de quatro anos.

Mesmo com o recuo dos indígenas, os ataques paramilitares ruralistas não cessaram ficando ainda mais perigosos, visto estarem sendo praticados contra a pequena sede do tekoha onde os indígenas encontram-se agora confinados. Os indígenas denunciam que fazendeiros, assim como nas duas noites anteriores, estão novamente organizados, armados e já voltaram a efetuar disparos contra as famílias indígenas neste sábado, 05. Denunciam também que a força tática esteve, no início da tarde de hoje, noutro tekoha bastante próximo, porém, bateram em retirada negando-se em realizar a segurança das famílias de Guyra Kambi’y que está novamente sobre ataques.            

Há três dias, o Cimi e muitas outras organizações da sociedade civil brasileira cobram, junto ao Ministério da Justiça, o envio e a permanência de força de segurança no local dos ataques paramilitares. No entanto, até a tarde deste sábado, 05, as milícias rurais continuam agindo, com liberdade, inclusive à luz do dia, à revelia do Estado democrático e de direito.

Brasília, DF, 05 de setembro de 2015.

CIMI (Conselho Indigenista Missionário)

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Ajude você também a pressionar para impedir o massacre aos indígenas.  Envie mensagens, e-mails ou telefone para as autoridades. Denuncie também nas redes sociais essa situação.

Para os Guarani e Kaiowá é urgente a presença das autoridades públicas em Guyra Kamby’i para garantir a segurança da comunidade. Os indígenas pedem o apoio da sociedade para enviar mensagens, telefonar ou deixar recados nas redes sociais para os seguintes órgãos públicos:

Ministério da Casa Civil – Aos cuidados do ministro Aloizio Mercadante: [email protected], (61) 3411-1410, twitter: @casacivilbr.  

Ministério da Justiça – Ao ministro José Eduardo Cardozo: [email protected], (61) 2025-3135, twitter: @JE_Cardozo, @JusticaGovBR, facebook: Ministério da Justiça;

Corregedoria-Geral de Polícia Federal – Aos cuidados de Roberto Mário da Cunha Cordeiro: (61) 2024-8222, ou denuncie aqui em genocídio ou crime de ódio: http://denuncia.pf.gov.br/

Secretaria-Geral da Presidência da República – Ao ministro Miguel Rossetto: [email protected] (61) 3411-1224, twitter: @secgeralpr, facebook: Secretaria-Geral da Presidência da República.

Com informações do CIMI (Conselho Indigenista Missionário)
Foto: José Cruz/ Agência Brasil

 

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