Clemente Ganz: reinventar o movimento sindical para o novo mundo do trabalho

Clemente Ganz: reinventar o movimento sindical para o novo mundo do trabalho

Clemente Ganz: reinventar o movimento sindical para o novo mundo do trabalho

Compartilhe

Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Share on whatsapp
Share on facebook
Share on twitter
Share on telegram
Share on email

O diretor técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE), Clemente Ganz Lúcio, provocou o 2º Congresso da Intersindical com reflexões sobre os impactos da atual reestruturação produtiva do capitalismo (quarta revolução industrial) na atividade sindical. Ele enfatizou a introdução de novas tecnologias no mundo do trabalho, que, em vez de beneficiar os trabalhadores, eliminam postos de trabalho, precarizam as formas de contratação e aumentam os lucros dos grandes capitalistas e investidores do sistema financeiro. Para o diretor do DIEESE, se os sindicatos não incorporarem as novas demandas da classe trabalhadora que surge dessa reestruturação, estarão condenados a definhar e desaparecer.

Para exemplificar, Clemente Fanz falou sobre o setor do telemarketing. Hoje, segundo ele, um atendente custa cerca de R$ 5 mil ao mês para o empresário, considerando encargos e demais despesas. Uma firma com 100 empregados teria um custo hipotético de R$ 500 mil mensais.  Com a substituição dos funcionários pelo atendimento automatizado por programas de computador (que já está acontecendo), o custo cairia brutalmente: R$ 250 ao mês. Resultado: demissões massivas e lucros exorbitantes para os acionistas que controlam a empresa.

Acha esse material importante? Cadastre seu e-mail para receber nossa newsletter.

Foi para lidar com situações como essa que foi elaborada e aprovada a reforma trabalhista no Brasil, que alivia os passivos sobre as demissões e passa a permitir a contratação intermitente. Soma-se à reforma a total permissividade para a terceirização, seja no setor público ou privado. “De 2008 para cá, 110 países fizeram 642 reformas trabalhistas para gerar esse resultado. Empresas impuseram isso no mundo todo: flexibilidade e fim dos passivos trabalhistas”, informou o diretor do DIEESE.

Há uma diferença sobre o destino dos lucros, que altera o próprio sentido das empresas no novo cenário econômico. “O capitalista antigo ficava com 25% dos lucros e reinvestia os outros 75%. A empresa crescia e os trabalhadores lutavam para ficar com parte do aumento da produção, reajustando seus salários, fazendo greves quando fosse necessário. Agora, os investidores esperam ficar ricos rapidamente, com o maior retorno no menor tempo possível. Não usa lucro para empresa crescer. A razão é inversa: 25% para investimento e 75% para divisão entre os acionistas. E, nesse modelo, o sindicato é empurrado para fora do jogo”. O resultado é menos empregos e menor crescimento econômico, em favor de maior concentração de renda, com cada vez mais bilionários no mundo.

“Nos próximos anos teremos o primeiro trilionário da história”, alertou Clemente Ganz. Para se ter uma ideia, este sujeito poderia gastar US$ 1 milhão por dia por 2.578 anos. “É o sistema que estão criando, esse tipo de concentração de riqueza”, o que significa que “estamos perdendo de goleada”, afirmou Ganz.

Representar os “uberizados”

O perfil da classe trabalhadora se altera com a estrutura econômica. A tendência, agora, é de cada vez mais trabalhadores sem vínculo formal empregatício, que hoje já não são nem metade da população economicamente ativa. “Se nossa proposta não for para representar o total dos 105 milhões de trabalhadores, perdemos o rumo da história. Temos que alcançar o motorista de Uber, o PJ [pessoa jurídica], o autônomo. Nenhum destes está na base sindical e todos são trabalhadores”, destacou Clemente Ganz. “Precisa haver um esforço para conectar a estrutura sindical a essa mudança. O sindicato deve estar colado ao mundo do trabalho e representar esses novos trabalhadores. Não temos alternativa a não ser fazermos uma profunda mudança na organização sindical”, convocou o diretor do DIEESE.

O recado de Ganz foi direto às gerações mais velhas: “ou damos espaço para as pessoas que estão nesse mundo ou vamos definhar dia após dia. Ou os jovens tomam sindicato ou sindicato acaba. Temos que pegar as novas pautas concretas e fazer a luta”. “Se não pensarmos esses desafios, vamos ficar olhando pelo retrovisor quando há um paredão a nossa frente. Precisamos inventar o novo mundo sindical para o novo mundo do trabalho”, sintetizou.

Texto: Matheus Lobo


CLIQUE E ACOMPANHE A INTERSINDICAL NAS REDES

Acha esse material importante? Cadastre seu e-mail para receber nossa newsletter.

COMPARTILHE
Share on whatsapp
Share on facebook
Share on twitter
Share on telegram
Share on email

Já assistiu nossos últimos vídeos no YouTube?

Nilza, pela Intersindical, neste #24JForaBolsonaro na Paulista
Nilza, pela Intersindical, neste #24JForaBolsonaro na Paulista
Edson Índio, Secretário Geral da Intersindical, neste #24JForaBolsonaro, na Paulista
Edson Índio, Secretário Geral da Intersindical, neste #24JForaBolsonaro, na Paulista
Camila, das Brigadas Populares, no #24JForaBolsonaro na Paulista
Camila, das Brigadas Populares, no #24JForaBolsonaro na Paulista
Inscreva-se
Notificar de
guest
0 Comentários
Inline Feedbacks
Ver todos os comentários