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Brasil precisa ter consciência de que não tem ainda uma democracia racial

Durante muito tempo se criou um mito de que no Brasil não havia racismo e que o país vivia numa verdadeira democracia racial. Será verdade? As estatísticas revelam:

– Dos beneficiários do Bolsa Família, 10,3 milhões são negros, o que representa 75% do total do programa de complementação de renda.

– Nos últimos quatro anos, 4,3 milhões de famílias chefiadas por negros acessaram programas de inclusão produtiva do Brasil Sem Miséria, tanto nas áreas urbanas como rurais.

– No último Mapa da Violência, o número de mulheres negras mortas cresceu 54% em 10 anos (de 2003 a 2013), enquanto que o número de mulheres brancas assassinadas caiu 10% no mesmo período (Faculdade Latino-Americana de Estudos Sociais).

– Dos 56 mil mortos em 2012, 77% eram jovens negros que moravam na periferia.

– A taxa de homicídios de negros é de 36,5 por 100 mil habitantes, no caso de brancos, a relação é de 15,5 por 100 mil habitantes, segundo o Ipea.

Análise

Em entrevista ao site da Intersindical Central da Classe Trabalhadora, Juninho, militante do Círculo Palmarino, nos convida a refletir sobre estes números:

“Quando olhamos para os índices sociais vemos que a condição social da comunidade negra é completamente desfavorável em relação aos brancos. Que democracia racial é essa que depois de 350 anos de escravidão, numa das maiores perversidades que a humanidade já produziu, ainda não incluiu de fato a população negra?”, questiona Juninho.

É fundamental, segundo o militante, que a gente tenha cada vez mais espaços para debater sobre isso, como o dia 20 de novembro, e nas salas de aula a aplicação das leis 10.639/03 e 11.645/08 que garantem o ensino da cultura africana e afro brasileira em todas as esferas de ensino, para formarmos desde pequenos a nossa história de diversidade. “Cada vez mais esse tema tem que vir à tona e ser debatido em todos os espaços”, diz ele.

Juninho ainda destaca a necessidade de uma mudança cultural mais profunda entre a sociedade brasileira. “Temos sim a incorporação de alguns elementos da cultura negra, mas ao mesmo tempo vivemos sob um projeto de construção de visibilidade, de um padrão estético social que sempre se remete ao europeu ou estadunidense e que não valoriza de fato a diversidade e o conjunto da sociedade brasileira, e que não reconhece a contribuição que os africanos e indígenas tiveram para a formação sócio-cultural do nosso país”, afirma.

Prova de que ainda estamos longe do ideal e de que o assunto precisa ser levado em conta são as recentes polêmicas na internet, envolvendo racismo e a pirâmide social brasileira que ainda continua tendo brancos no topo e negros em baixo.

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