“É uma tragédia fenomenal o que estão fazendo com a suposta reforma da Previdência”

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Antônio Carlos Cordeiro, da direção nacional da Intersindical, acredita que é possível conseguir a rejeição da PEC 287, incluindo-se também a recusa da “reforma” trabalhista e da terceirização

No dia em que o Brasil assistiu a uma das maiores manifestações de trabalhadores nos últimos anos, com dezenas de cidades unindo-se à convocação contra a “reforma” da Previdência, a Avenida Paulista, em São Paulo, foi tomada por mais de 200 mil pessoas, que começaram a se concentrar no vão livre do Masp desde as primeiras horas da tarde. No momento em que a noite caiu, já era impossível divisar onde começava e onde terminava o mar de gente.

Se havia um temor inicial que a paralisação de metroviários e condutores de ônibus fosse prejudicar o acesso à avenida, ela não demorou a se dissipar. A Paulista, usual palco para manifestações e protestos, contou com público extremamente heterogêneo. Das centrais sindicais aos movimentos populares, dos estudantes que nem sequer ingressaram no mercado de trabalho aos já aposentados, nenhuma só pessoa tinha qualquer dúvida sobre a razão de se estar na rua: essa proposta do governo Temer não pode passar.

Em meio ao som de baterias, gritos de guerra e cantos como “Ai ai ai, se empurrar o Temer cai”, o Previdência, Mitos e Verdades conseguiu conversar com Antônio Carlos Cordeiro, da direção nacional da Intersindical – Central da Classe Trabalhadora.

Previdência, mito e verdades – Como a Intersindical está se envolvendo na questão da PEC 287?

Antônio Carlos Cordeiro – A Intersindical tem como ponto de vista que essa reforma da Previdência insere-se no contexto do desmonte da Constituição de 1988, por parte desse governo. Para nós, é uma tragédia fenomenal o que estão fazendo com a suposta reforma da Previdência, quando se trata de retirar direitos.

A Intersindical está junto com a classe trabalhadora para lutar contra essa proposta. Nós acreditamos que não cabe emenda, como alguns setores já pretendem fazer. É necessária fazer uma revisão total da reforma porque todos sabem que essa questão do déficit é uma farsa.

É necessário reabrir o debate com a população, primeiramente recusando essa proposta de maneira contundente, e isso só é possível com as Frentes dos trabalhadores,os movimentos sociais e a população. Nós temos, por exemplo, a Frente Povo Sem Medo, que envolve a CUT, a CTB, o MTST, a UNE, UBES, várias outras entidades e onde a Intersindical participa também. Há nesse processo ainda a Frente Brasil Popular, as centrais sindicais, enfim… Muita gente envolvida.

Previdência, mito e verdades – Como coordenar todos esses movimentos para atuar de maneira mais efetiva contra a PEC 287?

Antônio Carlos Cordeiro – A estratégia fundamental é realizarmos comitês de luta contra o desmonte da Previdência pelos bairros das cidades, e fazer pressão individual sobre os deputados em várias regiões. Então, além de mobilizações importantes como a do 15 de Março, além das marchas pra Brasília, é fundamental que nas regiões onde os deputados têm votos — onde a população tem condição de estar mais próxima deles — exista um instrumento de pressão que possa ser muito mais efetivo.

Por isso nós acreditamos que é possível reverter a reforma da Previdência e achamos que há de incluir nesse bojo também a recusa da reforma trabalhista e da terceirização, que formam um conjunto de ataques contra a classe trabalhadora.

Previdência, mito e verdades – É quase como se estivesse sendo preparado em Brasília um rolo compressor.

Antônio Carlos Cordeiro – Exatamente. Às vezes é até difícil decidir qual reforma é a que mais vai prejudicar, porque elas estão articuladas entre si.

Eles congelaram os investimentos nas áreas sociais, vão fazer uma reforma que retira e precariza direitos trabalhistas, vão fazer a terceirização que é a destruição do mercado de trabalho e da estrutura sindical, com toda essa penalização começando justamente com a reforma da Previdência Social, que é inclusive a que mais mobiliza a população, porque é mais palpável no sentido de se entender o quanto ela irá perder.

Ao que me parece, a disputa pela comunicação começou a dar resultado com esse 15 de Março. A classe trabalhadora está acordando, está percebendo que essas reformas são prejudiciais e por isso estão vindo para a rua para se mobilizar.

Fonte: Previdência: Mitos e Verdades / Vinicius Gomes Melo

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